Ministra aponta risco real com avanço de incêndios, seca e degradação, e cobra ação urgente para salvar o bioma
A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, fez um alerta contundente neste domingo (22), em Campo Grande, ao afirmar que o Pantanal pode desaparecer até o fim do século caso persistam os atuais níveis de degradação ambiental. A declaração foi dada durante coletiva de imprensa após agenda do Segmento de Alto Nível da COP15.
Segundo a ministra, estudos indicam que a combinação de mudanças no regime de chuvas, aumento da evapotranspiração e a frequência de incêndios tem colocado o bioma em risco crescente nas próximas décadas.
Marina destacou que a redução das precipitações compromete o equilíbrio hídrico do Pantanal, dificultando a manutenção do ciclo natural de cheias e secas, essencial para a biodiversidade da região.
Apesar do cenário preocupante, a ministra afirmou que há esforços em andamento para evitar esse desfecho. Ela citou iniciativas como a legislação de proteção ao Pantanal adotada em Mato Grosso do Sul, além de outras ações voltadas à preservação do bioma.
A chefe da pasta também enfatizou que a proteção do Pantanal exige atuação conjunta entre governos e setor privado, já que grande parte da área está em propriedades particulares.
Outro ponto de alerta foi a perda de recursos hídricos no país. De acordo com dados mencionados pela ministra, o Brasil já perdeu cerca de 15% de sua superfície de água nas últimas décadas, processo que tem se intensificado nos últimos 30 anos e impacta diretamente ecossistemas como o Pantanal.
Considerado a maior planície alagável do planeta, o Pantanal depende do equilíbrio ambiental para manter sua fauna e flora. No entanto, fatores como queimadas, desmatamento e alterações climáticas vêm pressionando o bioma.
As declarações ocorrem no contexto da COP15, que reúne representantes de diversos países para discutir a conservação de espécies migratórias e a proteção da biodiversidade global. Dentro desse cenário, o Pantanal aparece como uma das áreas mais sensíveis e estratégicas nas discussões ambientais.
Ao final, Marina reforçou a urgência de medidas mais efetivas e integradas para evitar perdas irreversíveis no bioma ao longo das próximas décadas.