Presidente afirma que os dois governos haviam acertado prazo para negociações e defende diálogo para evitar novo impasse comercial entre Brasil e Estados Unidos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (2) que espera uma conversa direta com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para esclarecer a proposta norte-americana de aplicar uma tarifa geral de 25% sobre produtos brasileiros.
A declaração foi feita durante a inauguração do Hospital Universitário da Universidade Federal de Catalão (HU-UFCAT), em Goiás, em meio à repercussão da decisão anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que apontou supostas práticas brasileiras consideradas prejudiciais ao comércio americano.
Segundo Lula, a proposta não estaria alinhada ao entendimento firmado anteriormente entre os dois governos, que haviam estabelecido um prazo de negociação até 15 de julho para discutir questões comerciais pendentes.
“Estou esperando um telefonema dele para me explicar o que aconteceu. Nós combinamos 30 dias para que os negociadores dos dois países conversassem e apresentassem uma resposta”, declarou o presidente.
Durante o discurso, Lula afirmou que apresentou aos Estados Unidos propostas de cooperação envolvendo minerais críticos, terras raras, combate ao crime organizado e ampliação das relações comerciais entre os dois países.
O presidente também ressaltou que permanece disposto a discutir qualquer tema considerado estratégico pelo governo norte-americano.
Ao comentar a relação com Trump, Lula relembrou encontros anteriores entre os dois líderes e destacou que a intenção do Brasil é manter um canal aberto de diálogo.
A proposta apresentada pelo USTR prevê a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre diversos produtos brasileiros. O relatório cita temas como comércio digital, sistema de pagamentos Pix, propriedade intelectual, etanol, combate à corrupção e desmatamento ilegal como justificativas para a medida.
Antes da decisão final, o governo americano realizará uma audiência pública marcada para o dia 6 de julho. As novas tarifas poderão entrar em vigor a partir de 15 de julho, caso sejam confirmadas pela Casa Branca.
Ao encerrar o discurso, Lula afirmou que o Brasil não pretende entrar em conflito com os Estados Unidos, mas defenderá seus interesses nas negociações internacionais.
Segundo ele, o país deve atuar com independência e respeito mútuo nas relações diplomáticas.
“Nunca baixei a cabeça para ninguém. Não tenho medo de pressão. Não quero guerra com os Estados Unidos. Quero paz, diálogo e respeito”, afirmou o presidente.