Descoberta inédita sugere uso de textos literários em rituais funerários durante a era romana
Uma descoberta arqueológica inédita chamou a atenção da comunidade científica: um papiro contendo trechos do Livro II da obra Ilíada foi encontrado sobre uma múmia em uma câmara funerária na região de Al-Bahansa, na província de Mínia, no Egito, a cerca de 250 quilômetros do Cairo.
O achado foi feito por uma missão arqueológica conjunta liderada por pesquisadores da Universidade de Barcelona e do Instituto Oriente Antigo. A equipe é coordenada pelas arqueólogas Maite Mascort e Esther Ponce Milado.
Em entrevista à CNN, o filólogo Ignasi-Xavier Adiego destacou a relevância da descoberta. Segundo ele, trata-se de um avanço significativo, já que não havia evidências anteriores do uso de textos literários em rituais funerários.
Apesar da importância, o conteúdo do papiro ainda não foi completamente analisado. Os pesquisadores afirmam que métodos mais avançados, como exames de raio-X, podem ajudar a revelar detalhes sem danificar o material, que é extremamente frágil.
Acredita-se que os vestígios encontrados pertençam ao período da era romana no Egito, entre 30 a.C. e 641 d.C. Além do papiro, os arqueólogos identificaram outras três câmaras funerárias com achados diversos, incluindo frascos com restos humanos carbonizados, ossos de crianças, partes de animais e pequenas estátuas de bronze, entre elas uma representação do deus Harpócrates.
A descoberta abre novas possibilidades de estudo sobre práticas funerárias antigas e a relação entre literatura e rituais no mundo clássico.