O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou nesta segunda-feira que poderá “pegar de novo em armas” caso considere necessário para defender o país. A declaração foi feita em meio ao agravamento das tensões diplomáticas com os Estados Unidos, liderados pelo presidente Donald Trump, após recentes bombardeios americanos na região e uma sequência de trocas públicas de acusações entre os dois chefes de Estado.
Desde que Trump iniciou seu segundo mandato, em 2025, as relações entre Estados Unidos e Colômbia vêm se deteriorando. Os atritos envolvem temas como segurança regional, política migratória, tarifas comerciais e o papel de Washington na América Latina. O clima se agravou após uma operação americana que resultou na captura do presidente venezuelano deposto Nicolás Maduro, levado aos EUA sob acusações de tráfico de drogas e terrorismo.
Em publicação na rede social X, Petro relembrou seu passado como integrante do grupo guerrilheiro M-19 e disse que havia jurado não voltar a empunhar armas desde os acordos de paz do fim dos anos 1980. Ainda assim, afirmou que poderia rever essa posição “pela pátria”, em reação ao que considera ameaças externas. O presidente colombiano também anunciou que qualquer comandante das forças de segurança que demonstrar lealdade a interesses estrangeiros acima da bandeira nacional será imediatamente afastado.
As declarações foram uma resposta direta a falas de Trump no fim de semana. O presidente americano afirmou que Petro deveria “cuidar de si” e o descreveu como “um homem doente”, acusando-o, sem apresentar provas, de envolvimento com a produção e o envio de cocaína aos Estados Unidos. Trump chegou a sugerir que uma operação semelhante à realizada na Venezuela poderia ser aplicada em território colombiano.
Petro rejeitou as acusações e classificou as declarações como calúnia. Em nova manifestação pública, pediu que Trump interrompa os ataques verbais e criticou a postura dos Estados Unidos na região. Segundo o presidente colombiano, a captura de Maduro ocorreu “sem base legal” e representa uma escalada militar injustificável na América do Sul.
Apesar do atual confronto retórico, Washington e Bogotá mantiveram, por décadas, uma relação estratégica, especialmente durante a implementação do Plano Colômbia, lançado em 1999, que marcou a cooperação entre os dois países no combate aos cartéis de drogas. O atual impasse, no entanto, sinaliza um dos momentos mais delicados da relação bilateral em anos recentes.