Atualmente, cerca de 20% de todas as doses de vacina administradas são doses de reforço ou adicionais
Em sua última coletiva do ano, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que programas gerais de reforço da vacina de COVID-19 podem prolongar a pandemia, ao invés de interrompe-la.
Tedros Adhanom Ghebreyesus explicou que as doses de reforço não podem tirar nenhum país sozinho da pandemia e que elas não devem ser vistas como um passe para seguir adiante com as comemorações planejadas, sem a necessidade de outros cuidados.
Em um contexto em que a desigualdade vacinal ainda persiste, os programas de aplicação terceiras - e até quartas - doses em massa podem desviar o fornecimento de vacinas para países que já têm altos níveis de cobertura da vacinação, dando ao vírus mais oportunidade de se espalhar e sofrer mutação.
Atualmente, cerca de 20% de todas as doses de vacina administradas são doses de reforço ou adicionais. No entanto, apenas metade dos 194 Estados-membros da OMS foram capazes de imunizar com duas doses 40% de suas populações.
De acordo com as orientações da OMS, a introdução de doses de reforço deve ser firmemente baseada em evidências e direcionada aos grupos populacionais com maior risco de doenças graves e aqueles necessários para proteger o sistema de saúde.
Os programas gerais de reforço da vacina de COVID-19 podem prolongar a pandemia e aumentar a desigualdade, alertou o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS).
“Nenhum país pode sair da pandemia com doses de reforço”, disse o chefe da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, falando em Genebra durante sua última coletiva de imprensa do ano.
“E as doses de reforço não podem ser vistas como um passe para seguir adiante com as comemorações planejadas, sem a necessidade de outros cuidados”, acrescentou.
Desvio no fornecimento de vacina - O Grupo Consultivo Estratégico de Especialistas em Imunização (SAGE) da OMS emitiu orientações provisórias sobre as doses de reforço, expressando preocupação de que os programas em massa para os países que podem pagá-las exacerbarão a iniquidade da vacina.
De acordo com as orientações, a introdução de doses de reforço deve ser firmemente baseada em evidências e direcionada aos grupos populacionais com maior risco de doenças graves e aqueles necessários para proteger o sistema de saúde.
Atualmente, cerca de 20% de todas as doses de vacina administradas são doses de reforço ou adicionais.“Os programas gerais de reforço provavelmente prolongarão a pandemia, em vez de interrompê-la, desviando o fornecimento para países que já têm altos níveis de cobertura da vacinação, dando ao vírus mais oportunidade de se espalhar e sofrer mutação”, alertou Tedros.
Ele enfatizou que a prioridade deve ser apoiar os países a vacinar 40% de suas populações o mais rápido possível e 70% até meados de 2022.
“É importante lembrar que a grande maioria das hospitalizações e mortes ocorrem em pessoas não vacinadas, e não em pessoas sem reforço”, afirmou. “E devemos deixar muito claro que as vacinas que temos permanecem eficazes contra as variantes Delta e Ômicron.”
Contra a iniquidade da vacina - Tedros relatou que, embora alguns países estejam agora lançando programas gerais para uma terceira ou mesmo quarta dose, no caso de Israel, apenas metade dos 194 Estados-membros da OMS foram capazes de imunizar 40% de suas populações devido a “distorções na oferta global”.
Vacinas suficientes foram administradas globalmente em 2021, salientou o chefe da OMS. Portanto, todos os países poderiam ter alcançado a meta até setembro, se as doses tivessem sido distribuídas de forma equitativa por meio do mecanismo de solidariedade global COVAX e sua contraparte da União Africana, AVAT.
“Estamos animados porque o fornecimento está melhorando”, relatou Tedros. O COVAX completou 800 milhões de doses de vacina distribuídas, sendo que metade delas foram enviadas nos últimos três meses.
O líder da agência de saúde da ONU novamente instou os países e fabricantes a priorizarem o COVAX e o AVAT e trabalharem juntos para apoiar as nações que estão mais atrás.
Embora as projeções da OMS mostrem fornecimento suficiente para vacinar toda a população adulta global até o primeiro trimestre de 2022 e dar reforços às populações de alto risco, somente mais tarde no ano o fornecimento será suficiente para o uso extensivo de reforços em todos os adultos.
Esperança para 2022 - Refletindo sobre o ano passado, Tedros informou que mais pessoas morreram de COVID-19 em 2021 do que de HIV, malária e tuberculose combinados, em 2020. O coronavírus matou 3,5 milhões de pessoas este ano e continua a ceifar cerca de 50 mil vidas a cada semana.
O chefe da OMS disse que embora as vacinas “sem dúvida salvassem muitas vidas”, a divisão desigual das doses resultou em muitas mortes.“Ao nos aproximarmos de um novo ano, todos devemos aprender as dolorosas lições que este ano nos ensinou. 2022 deve ser o fim da pandemia de COVID-19. Mas também deve ser o começo de outra coisa - uma nova era de solidariedade”, defendeu Tedros
Orientação para profissionais de saúde - A nova orientação da OMS recomenda que os profissionais de saúde usem respirador ou máscara médica, além de outros equipamentos de proteção individual (EPI), ao entrar no quarto de um paciente com suspeita ou confirmação de COVID-19.
Os respiradores, que incluem máscaras conhecidas como N95, FFP2 e outros, devem ser usados especialmente em ambientes com ventilação insuficiente.
Como muitos profissionais de saúde em todo o mundo não têm acesso a esses itens, a OMS está pedindo aos fabricantes e países que aumentem a produção, aquisição e distribuição de respiradores e máscaras médicas.
Tedros destacou que todos os profissionais de saúde devem ter todas as ferramentas de que precisam para realizar seu trabalho, o que inclui treinamento, EPI, ambiente de trabalho seguro e vacinas.
“É francamente difícil entender como um ano após as primeiras vacinas terem sido administradas, três em cada quatro profissionais de saúde na África permanecem não vacinados”, observou.
Fonte ONU