Tedros descreveu o acontecimento como 'notícia preocupante' mas lembrou que há importantes ressalvas relacionadas ao estudo
13/02/2021 11h06 - Por ONU
O surgimento de novas variantes do coronavirus trouxe questionamentos sobre a efetividade das vacinas atualmente disponíveis, alertou o chefe da Organização Mundial de Saúde, para quem os fabricantes precisarão se ajustar à evolução do vírus.
Tedros Adhanom Ghebreyesus, chefe da OMS, comentou o assunto um dia depois da África do Sul anunciar a suspensão temporária da vacinação com a Oxford-AstraZeneca porque um estudo relativamente pequeno revelou que ela dava baixa proteção contra a variante, identificada pela primeira vez naquele país.
Tedros descreveu o acontecimento como "notícia preocupante" mas lembrou que há importantes ressalvas relacionadas ao estudo.
"Os resultados são um lembrete de que precisamos fazer tudo o que pudermos para reduzir a circulação do vírus com medidas sanitárias comprovadas", afirmou durante a última coletiva de imprensa em Genebra.
"Também parece cada vez mais claro que os fabricantes terão que se ajustar à evolução do vírus, levando em consideração as últimas variantes para as injeções futuras, incluindo as segundas doses", disse.
A vacina da Oxford-AstraZeneca está entre várias consideradas efetivas em prevenir casos graves da doença, hospitalização e óbito por COVID-19, informou Tedros.
O estudo da África do Sul mostrou que ela é minimamente efetiva na prevenção de casos leves a moderados da nova variante identificada no país e conhecida como 501Y.V2.
"Em função do limitado tamanho da mostra do teste e do perfil jovem e saudável dos participantes, é importante determinar se a vacina permanece efetiva na prevenção de casos mais severos da doença", explicou o diretor aos jornalistas.
De acordo com o vice-presidente do Comitê Ministerial de Aconselhamento da COVID-19 na África do Sul, professor Salim Abdool Karim, 2.026 pessoas participaram do estudo.
"Embora a eficácia geral da vacina da AstraZeneca tenha sido de 66% num estudo maior, que inclui Reino Unido, Brasil e África do Sul, os dados da África do Sul agora mostram apenas 22% de eficácia", disse.
"A partir do estudo mais amplo, sabemos que a vacina da AstraZeneca é efetiva contra outras variantes pré-existentes. Mas não estamos confiantes sobre a eficácia contra a variante 501Y.V2" , informou a autoridade.
O professor Karim disse que a África do Sul está considerando uma proposta de vacinar inicialmente 100 mil pessoas e monitorar as taxas de hospitalização baseadas num patamar.
O país também planeja avançar com a aplicação das vacinas feitas pela Pfizer/BioNTech e Johnson e Johnson, segundo relatos da mídia.
A OMS tem em andamento um mecanismo para identificar e avaliar as variantes da COVID-19, que foi ampliado para dar orientação aos fabricantes e países sobre as mudanças que podem ser necessárias para as vacinas.
O Grupo Estratégico de Aconselhamento de Peritos em Imunização (SAGE, na sigla em inglês) se reuniu na segunda-feira (8) para revisar a vacina da Oxford-AstraZeneca e as recomendações devem sair em breve.
Ebola – A OMS enviou uma equipe de pesquisa para a República Democrática do Congo, onde o Ebola ressurgiu depois que um surto prévio foi declarado em junho do ano passado.
As autoridades congolesas anunciaram no último domingo (7) que um novo caso foi relatado perto da cidade de Butembo, na província de Kivu Norte, uma região atingida novamente pela doença depois de dois anos.
A mulher, que já faleceu, era casada com um sobrevivente do Ebola. A OMS informou em comunicado que não é incomum que casos esporádicos surjam depois de um surto.
A OMS está apoiando autoridades locais e nacionais a identificar mais de 70 contatos, enquanto os lugares visitados pela vítima estão sendo desinfectados.
"Até aqui não foram identificados outros casos, mas é provável que isto aconteça porque a vítima teve contato com muitas pessoas depois de apresentar os sintomas da doença", Tedros explicou.
"Vacinas estão sendo enviadas para a área e esperamos que a imunização comece o quanto antes".