Delegado do Garras afirma que facção tenta expandir influência no norte do Estado e recrutar criminosos ligados a grupos rivais
O avanço do Comando Vermelho em Mato Grosso do Sul tem colocado as forças de segurança em alerta e motivado uma série de operações policiais voltadas ao combate da atuação da facção criminosa no Estado. Segundo a Polícia Civil, a organização vem tentando ampliar sua presença principalmente na região norte, cenário que tem provocado confrontos e aumentado a tensão entre grupos criminosos.
A situação ganhou novo capítulo nesta semana durante a segunda fase da Operação Leviatã, realizada em Rondonópolis (MT), que contou com a participação de policiais sul-mato-grossenses. A ação terminou com a morte de dois suspeitos durante confronto com as equipes.
De acordo com o delegado Roberto Guimarães, do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros), municípios do norte de Mato Grosso do Sul, como Coxim, estão entre os principais focos da tentativa de expansão da facção.
Segundo ele, a estratégia utilizada pelo grupo envolve o recrutamento de criminosos ligados a outras organizações, especialmente integrantes do PCC. A intenção seria ampliar a influência do Comando Vermelho em cidades do interior e fortalecer a disputa por territórios.
Conforme explicou o delegado, emissários enviados por integrantes da facção estabelecem contato com criminosos locais, oferecendo apoio logístico e incentivando a mudança de grupo. Após essa aproximação, são providenciados imóveis, veículos e armamentos para dar suporte às ações criminosas.
Ainda segundo Guimarães, integrantes vindos de Mato Grosso chegam às cidades sul-mato-grossenses com toda a estrutura já preparada para executar homicídios e atentados contra rivais que se recusam a aderir ao Comando Vermelho.
A Polícia Civil avalia que essa dinâmica representa um risco crescente para a população, uma vez que os ataques costumam ocorrer em áreas residenciais e podem atingir pessoas sem qualquer envolvimento com a criminalidade.
Um dos casos citados pelas autoridades foi o assassinato do adolescente Samuel Henrique de Jesus Cordeiro, de 16 anos, em Dourados. Conforme as investigações, dois homens em uma motocicleta executaram o jovem em frente à residência da família. A vítima ainda tentou fugir, mas morreu dentro da própria casa. Os suspeitos já foram identificados e presos.
A Operação Leviatã foi criada justamente para enfrentar essa escalada da violência ligada à disputa entre facções. A primeira fase teve como alvo integrantes de organizações criminosas envolvidos em homicídios e outros crimes graves. Já a segunda etapa ampliou o trabalho de investigação para identificar financiadores, articuladores e integrantes da estrutura criminosa.
Segundo o delegado, as investigações apontam que muitas das ordens para execuções e atentados partem de lideranças criminosas presas em Mato Grosso, que mantêm influência sobre integrantes que atuam em cidades de Mato Grosso do Sul.
A Polícia Civil afirma que novas fases da Operação Leviatã já estão em planejamento e que o trabalho seguirá de forma contínua. O objetivo é desarticular toda a rede envolvida na disputa territorial e impedir o fortalecimento de facções criminosas no Estado.
Roberto Guimarães ressaltou que a atuação das forças de segurança não é direcionada a uma organização específica, mas ao enfrentamento de qualquer grupo criminoso que ameace a ordem pública. Segundo ele, o foco é impedir a expansão da violência e garantir a segurança da população sul-mato-grossense.