Equipamento estava voltado para os boxes e foi apreendido; Polícia Civil vai instaurar inquérito para apurar possível violação de privacidade
Uma estudante localizou uma câmera de vigilância instalada no banheiro feminino de uma escola estadual situada no bairro Mata do Jacinto, em Campo Grande, na noite de quarta-feira (11). O equipamento foi recolhido pelas autoridades e será submetido à perícia técnica para verificar se havia funcionamento e eventual armazenamento de imagens.
De acordo com relato feito por uma mãe à polícia, a filha contou que o dispositivo estava apontado em direção às cabines sanitárias, o que gerou desconforto entre as alunas. Segundo a denúncia, as próprias estudantes teriam alterado a posição da câmera diversas vezes para evitar que ficasse voltada aos boxes. Ainda assim, o equipamento teria sido novamente direcionado para o interior das cabines.
Conforme registrado no boletim de ocorrência, a direção da unidade escolar informou aos policiais que a câmera havia sido instalada em 2016, mas que não estaria ativa. Diante da controvérsia, a Perícia Técnica foi acionada para avaliar as condições do aparelho e levantar informações que possam esclarecer se ele operava ou não.
Durante a averiguação, a Polícia Militar não identificou câmeras no banheiro masculino, porém encontrou um suporte fixado na parede, indicando que já houve equipamento semelhante naquele local.
O Conselho Tutelar compareceu à escola e comunicou que irá elaborar um relatório detalhado sobre o caso. O documento será encaminhado à autoridade policial responsável e ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul, para análise das providências cabíveis.
A empresa encarregada do sistema de monitoramento da escola também esteve na unidade e esclareceu que não realiza manutenção da câmera encontrada no banheiro feminino. Segundo a prestadora, sua atuação se limita aos dispositivos instalados recentemente nos corredores.
A Polícia Civil apreendeu o equipamento e informou que será aberto inquérito para apurar as circunstâncias da instalação, o eventual funcionamento e possíveis responsabilidades. A diretora da escola declarou ainda que o DVR — aparelho responsável pela gravação das imagens — teria apresentado curto-circuito há cerca de seis anos.