Homem tinha extensa ficha criminal, usava tornozeleira eletrônica e foi apontado pela polícia como participante de assalto ocorrido em Campo Grande
Uma ação do Batalhão de Choque da Polícia Militar terminou com a morte de um homem de 45 anos na noite desta sexta-feira (19), em Campo Grande. O caso aconteceu no Bairro São Conrado e elevou para 61 o número de mortes decorrentes de intervenção de agentes do Estado registradas em Mato Grosso do Sul neste ano.
De acordo com o boletim de ocorrência, policiais realizavam buscas por suspeitos envolvidos no roubo de um aparelho celular quando localizaram uma motocicleta com características semelhantes às informadas durante as investigações. O veículo seguia pela Rua Antônio Burgos Villa quando chamou a atenção da equipe policial.
Segundo a versão registrada pelos militares, o motociclista trafegava na contramão e demonstrou comportamento suspeito ao perceber a aproximação da viatura. Após parar a motocicleta, ele teria desembarcado e resistido à abordagem.
Ainda conforme o relato policial, durante a tentativa de contenção o homem teria levado a mão à cintura para sacar uma arma de fogo. Diante da situação, o comandante da equipe efetuou disparos. O suspeito foi desarmado e socorrido com vida ao Hospital Regional de Campo Grande, mas não resistiu aos ferimentos.
No local, a perícia recolheu um revólver calibre .38 com numeração raspada e cinco munições intactas. Os investigadores também constataram que a motocicleta utilizada pelo suspeito possuía registro de furto ocorrido no dia anterior.
O homem foi identificado como Marcelo Silva Gonçalves, conhecido pelo apelido de “Buguinho”. Segundo a polícia, ele utilizava tornozeleira eletrônica e possuía um extenso histórico criminal acumulado ao longo de quase duas décadas.
Entre os registros atribuídos a ele estão ocorrências por furto, receptação, tráfico de drogas, associação criminosa, posse irregular de arma de fogo, falsidade ideológica e homicídios qualificados.
Marcelo também figurou em uma investigação de grande repercussão em Mato Grosso do Sul. Em 2015, ele foi preso sob suspeita de participar do planejamento do assassinato do agente penitenciário Carlos Augusto Queiroz de Mendonça. Conforme as investigações da época, o crime teria sido motivado por desavenças envolvendo o sistema prisional.
Anos depois, a Justiça condenou Marcelo a 13 anos e 9 meses de prisão pelo caso. O executor dos disparos, Robson Silva dos Santos, recebeu pena superior a 21 anos de reclusão.
A ocorrência desta sexta-feira foi registrada como receptação, tentativa de homicídio, porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, resistência, desobediência e homicídio decorrente de intervenção legal de agente do Estado.
Dados oficiais apontam que as 61 mortes registradas em 2026 estão distribuídas em 55 ocorrências envolvendo ações de forças de segurança em Mato Grosso do Sul.