Flagrante em Terenos é o segundo em quatro dias e reforça alerta sobre a “rota do minério”
Pela segunda vez em apenas quatro dias, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) interceptou um caminhão carregado com minério de ferro usado para ocultar cocaína em Mato Grosso do Sul. O caso mais recente ocorreu na manhã desta segunda-feira (10), em Terenos, durante fiscalização na BR-262, uma das principais rotas de transporte mineral do Estado.
Durante a abordagem, os policiais encontraram 629 quilos de cloridrato de cocaína e 4,4 quilos de haxixe escondidos sob a cobertura do reboque. O caminhão havia partido de Corumbá, na fronteira com a Bolívia, e seguia com destino ainda não revelado.
Segundo a PRF, o motorista e o passageiro demonstraram nervosismo, o que motivou uma busca minuciosa. Ao retirar parte do minério, os agentes descobriram centenas de tabletes de droga misturados à carga. Os dois ocupantes foram presos em flagrante e levados à Polícia Civil de Terenos, junto com o caminhão e o entorpecente.
A apreensão é considerada a quarta maior de 2025 em Mato Grosso do Sul e a segunda mais expressiva da BR-262. O ranking estadual é liderado por Miranda (675,9 kg, em 25 de maio), seguida por Paranaíba (657,5 kg, em 16 de janeiro) e Dourados (655,8 kg, em 24 de abril).
O novo flagrante acontece quatro dias após outro caso semelhante, registrado na quinta-feira (6), quando um caminhão vindo também de Corumbá foi interceptado em Campo Grande com 100 quilos de cocaína escondidos em bolsas sobre a carga de minério.
A BR-262 consolidou-se como a chamada “rota do minério”, expressão usada pelas forças de segurança para definir o corredor de transporte entre Corumbá e Campo Grande. A via é palco de frequentes apreensões de drogas camufladas em caminhões de minério, aproveitando o intenso fluxo logístico do setor mineral.
Com a inatividade do transporte ferroviário e as restrições à navegação no Rio Paraguai por causa da seca, o escoamento do minério passou a depender quase totalmente dos caminhões. Esse cenário, segundo a PRF e a Polícia Federal, ampliou as oportunidades para o tráfico internacional, que usa o transporte comercial como fachada para grandes remessas de entorpecentes.
O caminhão e a droga apreendidos em Terenos permanecem sob custódia da Polícia Civil, que vai investigar a origem da cocaína e seu destino final dentro ou fora do Estado.