Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de inauguração do Projeto Cerrado – nova fábrica de celulose da Suzano em Ribas do Rio Pardo (MS) em 5 de dezembro de 2024 (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) inaugurou, nesta quinta-feira (5), em Ribas do Rio Pardo, no Mato Grosso do Sul, a maior fábrica de celulose em linha única do mundo. Durante a cerimônia, o presidente aproveitou para fazer declarações sobre o cenário econômico atual, alfinetar o mercado financeiro e reforçar sua relação com o agronegócio brasileiro.
A solenidade contou também com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin, da ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, além de representantes da indústria. O evento, que atraiu grande atenção na cidade de Ribas do Rio Pardo, teve o tom de celebração de um marco para a indústria nacional, mas também serviu como palco para os recados políticos de Lula.
No discurso, o presidente fez questão de destacar sua gestão econômica, comparando o atual momento com os resultados de seu governo em 2010. "Em 2010, entreguei a economia crescendo 7,5% ao ano e vou entregar novamente. Por isso, temos hoje a menor taxa de desemprego do país", afirmou Lula, referindo-se ao desempenho do Brasil antes de deixar a presidência na última década.
Lula também fez uma crítica indireta ao mercado financeiro e à recente escalada do dólar. "Vamos entregar a economia crescendo, o povo consumindo, o mercado reclamando e as empresas fazendo investimentos concretos", disse, sinalizando que as medidas de seu governo serão benéficas a longo prazo, apesar das reclamações frequentes do setor.
Além disso, o presidente abordou a relação com o agronegócio, uma pauta frequentemente discutida nos bastidores da política nacional. "De vez em quando, eu ouço dizer: ‘o agronegócio não gosta de você’. Podem não gostar de mim por outros motivos, mas, se for pelo dinheiro, nunca o agronegócio recebeu tanto quanto no meu governo", afirmou, defendendo que os números do setor, especialmente em relação às exportações e ao crescimento da produção, são um reflexo do sucesso de suas políticas econômicas.
A fábrica inaugurada, que representa um grande investimento na indústria de celulose, é um símbolo da força do agronegócio brasileiro, setor ao qual Lula tem se mostrado aliado, apesar das críticas de parte do setor político e empresarial. A unidade de produção tem capacidade para atender ao mercado global e pode gerar significativas oportunidades de emprego e desenvolvimento para a região.
O evento marcou mais um passo na agenda de Lula de promover o crescimento econômico do Brasil, com ênfase no fortalecimento de setores estratégicos como o agronegócio e a indústria. A presença de Alckmin e Tebet também sinaliza a importância das políticas de planejamento e desenvolvimento para o governo federal, com foco na geração de empregos e na recuperação da economia nacional.
Com uma agenda de ações voltadas para a retomada do crescimento, Lula busca reverter os desafios econômicos impostos pelos anos anteriores e reforçar a imagem do Brasil como uma potência global em setores como o agrícola e o industrial.
Simone Tebet também ressaltou a importância das obras e das tratativas políticas que possibilitaram a chegada da gigante da celulose a Mato Grosso do Sul. “Em 2009, trouxemos a primeira e maior fábrica de celulose do Brasil, hoje comprada pela Suzano. Agora, estamos inaugurando uma fábrica que vai revolucionar a história de Mato Grosso do Sul. Temos que mudar o nome do estado para ‘estado da celulose’, porque aqui é o vale mundial da celulose. Mais uma vez, saímos na frente.”
A inauguração da indústria já demonstra uma Ribas do Rio Pardo muito diferente da cidade pacata vista há cinco anos. No auge da construção, a obra da fábrica gerou 12 mil empregos diretos e indiretos. O município, que se envolve ao redor do empreendimento, viu transformações ao longo do tempo.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, enfatizou a importância da diversificação da indústria e agropecuária: “O Brasil está crescendo. Hoje estamos inaugurando a maior fábrica em linha única de celulose do mundo, aqui em Ribas do Rio Pardo. Uma indústria moderna, eficiente, exportadora — tudo o que o Brasil precisa — que reutiliza água, gera bioenergia e é um exemplo de desenvolvimento sustentável.”
As ligações com a tecnologia e sustentabilidade também marcaram a fala do governador do estado, Eduardo Riedel (PSDB).
A maior fábrica de celulose em linha única do mundo entrou em operação no dia 21 de julho deste ano, resultado de um investimento de R$ 22,2 bilhões, o maior investimento da história de 100 anos da Suzano e um dos maiores investimentos privados do Brasil entre 2021 e 2024.
A nova fábrica tem capacidade instalada para produzir 2,55 milhões de toneladas de celulose de eucalipto por ano, ampliando a capacidade de produção da Suzano para 13,5 milhões de toneladas anuais, um aumento de mais de 20%.
Responsável por gerar 3 mil postos de trabalho na região, entre diretos e indiretos em operações industriais, florestais e logísticas, a unidade também ampliou a produção da companhia em Mato Grosso do Sul. Com três fábricas em operação, a Suzano atinge 5,8 milhões de toneladas de celulose anuais.
Até o fim do ano, a nova fábrica deve produzir mais de 900 mil toneladas de celulose. Com esse volume, Mato Grosso do Sul, que já conta com outras três linhas em operação em Três Lagoas — duas delas da Suzano — deve atingir 5,9 milhões de toneladas até 2024.