06/07/2021 18h39 - Da redação, com informações do G1
Senadora Simone Tebet (MDB-MS) apontou indícios de falsificação em documento que o governo aponta ser o verdadeiro. Declaração ocorreu durante a Comissão de Inquérito Parlamentar (CPI) da Covid-19 , nesta terça-feira (6).
O documento citado pela parlamentar é um contrato apresentado pelo ministro chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República Onyx Lorenzoni.
Dito como o verdadeiro para a compra da vacina indiana contra Covid-19 Covaxin, foi usado por Lorenzoni para acusar o deputado Luis Miranda (DEM-DF) de falsificação de documentos. Luis Miranda desmentiu
A Senadora disse que o documento "tem clara comprovação de falsidade de documento privado", e ainda completou dizendo estar "falando de falsidade ideológica, formulada por alguém".
"Esse é o primeiro [documento], dito que é falso, 100% com correção da língua inglesa e marcas de scanner ou fax comprovando que esse documento chegou. Esse documento foi escaneado, e por fax", disse Tebet.
"Ele tem a marca e o logotipo desenquadrados, não estão alinhados em alguns pontos, como se fosse uma montagem. Tem inúmeros erros de inglês, e, talvez, o mais desmoralizante seja o [item] 17. No lugar de preço, price, está prince [príncipe, em inglês]. CEO, está companhia, em português. Então, aqui está uma mistura, eu acho que é um dialeto que só eles conhecem, não é? Está um 'portinglês' que não dá para entender", afirmou a senadora.
Tebet também apontou que um dos documentos prevê a importação de 300 mil caixas com 16 ampolas cada, o que representaria 4,8 milhões de doses – e não 3 milhões, como estava previsto.
Ainda de acordo com a senadora, houve também uma alteração de valores que deveriam ser antecipados de US$ 45 milhões para US$ 46 milhões. "
Tem quase US$1 milhão, R$5 milhões, que alguém ia levar em algum paraíso fiscal para fazer alguma rachadinha", afirmou.
Perícia
Após as apresentações de Simone Tebet, a senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) solicitou que seja feita uma perícia nas três invoices apresentadas.
Presidente da CPI, o senador Omar Aziz (PSD-AM) afirmou que o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) ainda não entregou à comissão os documentos que teriam sido entregues a Onyx.
"Eu estou cobrando aqui publicamente do deputado que ele traga os documentos, porque ele se comprometeu, publicamente, aqui, a trazer o documento aqui", disse Aziz.
Ele reforçou que também já solicitou o envio dos documentos ao ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, mas que ainda não os recebeu. Omar disse que "se tivesse maldade no coração", poderia acreditar que estão sendo feitas "modificações necessárias" para uma nova versão sobre as tratativas com a Covaxin.
Indícios apontados
Em um dos documentos exibidos como legítimos por Onyx Lorenzoni e Elcio Franco, a senadora Simone Tebet aponta 24 irregularidades – erros que, segundo a parlamentar, geram dúvidas sobre a veracidade do papel.
A lista inclui, por exemplo, números impressos no documento em inglês que usam pontos para separar milhares e vírgulas para casas decimais, como se escreve no Brasil (por exemplo, 1.234.567,89). Em inglês, a notação é invertida –por exemplo, 1,234,567.89.
Há outras palavras que, na análise do gabinete de Tebet, indicam produção do documento por um brasileiro: "company" abreviado como cia., e não como co., e "licença de importação" abreviada como LI em vez de IL ("imported license", em inglês).