Decisão nacional ocorre dias após morte de moradora de Jardim que passou mal depois de aplicação nos glúteos em clínica de São Paulo
O Conselho Federal de Medicina (CFM) decidiu proibir o uso do PMMA (polimetilmetacrilato) em procedimentos estéticos e reparadores realizados no Brasil. A medida foi anunciada nesta sexta-feira (29) e ocorre poucos dias após a morte da maquiadora sul-mato-grossense Roseli Fernandes de Oliveira Romeiro Vieira, de 48 anos, moradora de Jardim, que passou mal após realizar aplicação da substância em uma clínica particular de São Paulo.
A nova regra está prevista na Resolução nº 2.461/2026, que será publicada no Diário Oficial da União, e impede médicos de utilizarem o produto como preenchedor em procedimentos estéticos e reparadores. A única exceção prevista é para pacientes vivendo com HIV/Aids que apresentem lipodistrofia — alteração caracterizada pela perda anormal de gordura corporal.
Nesses casos específicos, o tratamento deverá ser realizado exclusivamente em unidades de alta complexidade vinculadas ao SUS e seguir protocolos técnicos estabelecidos pelo Ministério da Saúde.
A decisão ganhou repercussão nacional após o caso envolvendo Roseli. A maquiadora saiu de Mato Grosso do Sul rumo à capital paulista para realizar um procedimento estético nos glúteos e na parte posterior das coxas. Informações divulgadas pela imprensa apontam que o investimento no procedimento teria sido de aproximadamente R$ 50 mil.
O procedimento ocorreu na segunda-feira (25), em uma clínica localizada no bairro Brooklin, na zona sul de São Paulo. Horas depois, ela começou a apresentar fortes dores, dificuldade respiratória, mal-estar e alterações cardíacas.
Na tentativa de retornar à clínica, Roseli perdeu a consciência dentro de um carro de aplicativo. Imagens de segurança registraram o momento em que ela chegou desacordada ao prédio onde funciona o consultório. Apesar das tentativas de reanimação, a morte foi confirmada na manhã de terça-feira (26).
A Polícia Civil paulista investiga o caso e aguarda os resultados dos exames periciais do Instituto Médico Legal (IML) para esclarecer a causa da morte e apurar se houve relação direta entre o procedimento e a parada cardiorrespiratória.
A família da maquiadora cobra respostas. Em declarações à imprensa, o filho da vítima, Emerson Vieira Júnior, pediu apuração rigorosa e responsabilização caso sejam identificadas falhas ou irregularidades.
Vídeo mostra Roseli chegando desacordada á clínica e sendo reanimada por uma médica, porém não resistiu.
Substância acumula histórico de casos graves
Roseli não é o único caso associado ao PMMA. Nos últimos anos, o material voltou ao centro das discussões após mortes e complicações graves envolvendo aplicações estéticas.
Em 2024, a influenciadora Aline Ferreira morreu após complicações decorrentes de preenchimento nos glúteos. Já em janeiro de 2025, Adriana Barros Lima Laurentino, de 46 anos, morreu poucas horas depois de realizar procedimento semelhante em Recife, caso que resultou em investigação criminal e prisão preventiva do médico responsável.
Considerado um preenchedor permanente, o PMMA é composto por microesferas sintéticas suspensas em gel. Embora autorizado anteriormente para situações específicas ligadas à reconstrução tecidual, especialistas alertam há anos para os riscos associados ao uso estético da substância.
Entre as principais complicações descritas por profissionais da saúde estão infecções, embolias, deformidades permanentes, processos inflamatórios crônicos e situações potencialmente fatais. Como o produto permanece no organismo, sua remoção costuma ser complexa e, muitas vezes, exige múltiplas intervenções cirúrgicas.