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sábado, 2 de julho de 2022

FAO faz apelo por proteção de reservatórios subterrâneos de água

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Por ONU

A crescente escassez das águas subterrâneas é um problema global. Além disso, o uso indiscriminado de fertilizantes e pesticidas é a maior causa humana de poluição dos reservatórios subterrâneos.

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) recomenda que os países gerenciem de forma mais sustentável o armazenamento de água, dando maior importância aos reservatórios naturais em conjunto com o armazenamento de água superficial em planícies de inundação, pântanos e rios naturalmente sinuosos. 

 A FAO está auxiliando governos e outras partes interessadas para ajudar a fornecer ferramentas como irrigação de precisão, coleta e armazenamento de água e tecnologias de satélite, que oferecem oportunidades econômicas para estimar o consumo de água subterrânea e ajudar a preservar este recurso fundamental para a vida.

Embora essencial para a vida, a água não é um recurso valorizado, ainda mais quando esse ouro líquido está escondido no subsolo. Mas, como todos os recursos naturais, a água doce é finita, e nossos modos de vida e agricultura estão causando sérios estragos em seu abastecimento.  

A água subterrânea ajudou a tirar milhões de pessoas da pobreza desde que as tecnologias de perfuração e fontes de energia para bombeamento tornaram-se amplamente disponíveis para os agricultores rurais durante a segunda metade do século XX. A contribuição econômica das águas subterrâneas na agricultura é agora estimada em até 230 bilhões de dólares por ano em todo o mundo.

Com um aumento projetado de 50% na demanda por alimentos, rações e biocombustíveis até 2050 em relação ao ano de 2012, o esgotamento das águas subterrâneas ameaça minar a segurança alimentar, o abastecimento básico de água e a resiliência à crise climática em nível global. 

Como geralmente acontece, as comunidades mais pobres e marginalizadas são as que mais perdem.  

Dívida – A Revolução Verde da Índia na década de 1960, que encerrou séculos de fome e desempenhou um papel crucial em tirar o país da pobreza, deve muito à abundância da água que pode ser encontrada abaixo da superfície.

Hoje, a Índia está entre os maiores usuários de água subterrânea do mundo, com esse recurso precioso servindo cerca de 60% das áreas irrigadas do país. Sem isso, a Índia e muitos países ao redor do mundo teriam dificuldade para se alimentar. Na América do Norte e no sul da Ásia, por exemplo, 59% e 57% da área equipada para irrigação depende de água subterrânea. 

Esses ganhos tiveram um preço. Na Índia, a fim de fornecer alimentos acessíveis para sua população em rápido crescimento, os governos locais ofereceram eletricidade barata – e em alguns lugares, gratuita – aos agricultores para operar suas bombas de água. Isso resultou na queda dos níveis das águas subterrâneas para níveis perigosamente baixos em algumas partes do país, levando as autoridades a reverter essas políticas.

É uma história semelhante à do país vizinho, Paquistão, o quarto maior usuário de água subterrânea do mundo, onde décadas de superexploração resultaram no país à beira de uma grave crise de água subterrânea, apesar de sua bacia do Indo armazenar pelo menos oitenta vezes o volume de água doce nas três maiores barragens do país. 

Durante um período de 60 anos, o Paquistão passou de um país dependente de águas superficiais para um país dependente de águas subterrâneas e de um país com excedente de águas subterrâneas para um país com falta de águas subterrâneas.

Preocupação mundial – A crescente escassez desse recurso é global: há evidências convincentes que sugerem que vários aquíferos estão sendo explorados em todo o mundo. Além disso, o uso indiscriminado de fertilizantes e pesticidas é a maior causa humana de poluição dos reservatórios subterrâneos.

Aproximadamente 70% das retiradas globais de água subterrânea são usadas para cultivar alimentos, culturas industriais e criação de gado, enquanto cerca de 30% de toda a água irrigada em todo o mundo vem de baixo do solo, razão pela qual o setor agrícola deve desempenhar um papel crítico na abordagem do problema.

Saídas – As soluções convencionais de armazenamento de água normalmente passam pela construção de grandes barragens. Essas barragens não apenas têm um grande impacto ambiental, mas também podem gerar problemas para a sociedade, como por exemplo, a realocação forçada de comunidades. A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) recomenda que os países considerem uma gama mais ampla de soluções baseadas na natureza para gerenciar seu armazenamento de água, isso inclui dar maior importância aos reservatórios naturais em conjunto com o armazenamento de água superficial em planícies de inundação, pântanos e rios naturalmente sinuosos. 

O monitoramento contínuo do consumo de água subterrânea, principalmente em áreas irrigadas servidas por aquíferos não renováveis, também é crucial para seu uso sustentável. A FAO está auxiliando governos e outras partes interessadas para ajudar a fornecer ferramentas como irrigação de precisão, coleta e armazenamento de água e tecnologias de satélite, que oferecem oportunidades econômicas para estimar o consumo de água subterrânea e os níveis de captação medindo a “evapotranspiração” real (um termo que define a soma de todas as formas de evaporação mais transpiração) em tempo quase real. A ferramenta WaPOR da FAO atualmente fornece dados de acesso aberto para toda a África e Oriente Próximo.

Há uma necessidade urgente de tornar a agricultura mais eficiente. A produtividade da água na agricultura pode ser melhorada reduzindo as perdas de água através da modernização dos sistemas de irrigação, melhor gestão da água e aumento da produtividade das culturas através do uso de variedades de culturas nutritivas e de maior rendimento. 

A FAO, juntamente com a ONU Água e outros parceiros, aproveitaram o Dia Mundial da Água, que aconteceu no dia 22 de março, para aumentar a conscientização sobre a importância dos recursos hídricos subterrâneos para a produção de alimentos e a segurança alimentar, lançando simultaneamente o Relatório Mundial sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos, que este ano se concentra nas águas subterrâneas. 

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