O que a sua relação com dinheiro revela sobre as suas relações afetivas

22/06/2018 14h20 - Por: Jennifer Lobo


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Problemas financeiros são a principal causa de divórcios e separações. Como gastar com coisas que realmente importam e como economizar para a realização de sonhos ou para uma emergência? Bom, para começar sonhos e coisas que importam são valores totalmente singulares para cada sujeito.

Tema considerado tabu, o dinheiro dificilmente é tratado com a clareza e transparência necessárias por um casal. Muitos negligenciam, como se não tivesse importância. Até que as divergências comecem a surgir.Como consequência, 57% dos divórcios no Brasil têm origem em questões mal resolvidas relacionadas a dinheiro.

Uma questão de adição e subtração, simples? Nem tanto, já que dívidas precisam ser quitadas, deve-se saber poupar, e, ao mesmo tempo, definir onde investir para realizar os desejos. É nossohistórico emocional que constróia forma como vamos lidar com o dinheiro, e isso também nos define: como nos vestimos, os lugares que frequentamos, para onde viajamos, como gastamos. O dinheiro influencia o que podemos e o que não podemos fazer em nossas vidas e aí está marcado o reflexo da herança familiar. Um pai que era viciado em jogo ou bebida, uma mãe extremamente controladora quanto às finanças domésticas, um parente rico que vivia esbanjando em bens materiais. Tudo isso tem um peso grande no nosso comportamento, situações que desejamos alcançar ou que não queremos vivenciar. Experiências anteriores podem justificar porque você gasta tanto em alimentação ou resolve comprar uma bolsa mais cara do que uma viagem para Paris!

No relacionamento, alguns gastos do parceiro podem parecer sem sentido e os conflitos se iniciam. Tentar entender as motivações, conversar e ter compreensão já são indicativos de uma intenção de acordo. Tome-se como exemplo um casal com diferentes formas de encarar a vida. O marido quer viver o hoje, aproveitando o melhor que o dinheiro pode oferecer, sem pensar no futuro. Ele viu um dos seus parentes economizar a vida inteira, tinha uma forma extremamente mesquinha de viver. Faleceu e os herdeiros puderam desfrutar da herança. Ótimo para os herdeiros, não para o falecido que viveu abstendo-se de qualquer prazer! A esposa, por outro lado, passou por grandes dificuldades. De família pobre, nunca teve recursos para driblar as emergências. Não havia como poupar e garantir o futuro. Quando os pais não puderam mais trabalhar, não contavam com aposentadoria, não tinham nada! Com esse histórico familiar, ela tem grande dificuldade de lidar com o dinheiro de maneira despreocupada, não quer passar pela mesma situação da infância. O marido quer gastar agora, ela quer garantir um futuro tranquilo. Pronto, conflito estabelecido e duas opções: conciliar expectativas tão diferentes ou romper a relação.

Mapear o comportamento de uma pessoa na sua relação com o dinheiro, é tão difícil como um mapa do amor, são muitas vezes sutis e cheios de tramas intrincadas. Você pode ter crescido com uma mãe alcoólatra que gastou o dinheiro da comida em bebidas alcoólicas, tornando suas refeições imprevisíveis, então você prometeu a si mesmo que comida cara e de alta qualidade era mais importante do que economizar para a aposentadoria. Ou talvez você tenha sido preterido por crianças na escola pela maneira como você se vestia, e então você gastou todas as suas economias em ternos personalizados

São esses significados pessoais que orientam como lidamos com o dinheiro em nosso casamento. Nem sempre a lógica prevalece. Seu parceiro reclama dos caros mantimentos orgânicos que você compra, ou você não entende como uma gravata de seda que custa mais do que uma passagem de avião, e logo umadiscussão se inicia; para você não é apenas comida ou empate. Esses privilégios representam estabilidade e sucesso. Eles protegem você. Eles definem você. O dinheiro é carregado de poder e significado que pode tornar as discussões acaloradas e prejudiciais. Argumentos sobre dinheiro não são sobre dinheiro. Eles são sobre nossos sonhos, nossos medos e nossas inadequações.

O alinhamento de expectativas, de forma a atender as duas partes envolvidas, contribuirá para estabelecer os interesses de cada um. Com transparência, define-se o quanto será gasto e o quanto será poupado. É preciso haver o comprometimento do casal com a vida financeira em comum, um acordo sobre como administrar as finanças. Nada de ocultar gastos ou tentar aliviar as tensões com presentes materiais. O recomendável é assumir que a questão financeira interfere emocionalmente na sua relação. O diálogo franco sobre como o casal se sente ao tratar este aspecto tão importante e como planejar o futuro evitarão conflitos maiores.

Questões financeiras e as expectativas de vida precisam estar ajustadas desde o início. O dinheiro não pode ser considerado um tema proibido. Ele está permanentemente dando as cartas nas relações. Se a falta de diálogo franco e aberto prevalecer, acarretará frustrações e, consequentemente, aumentará as estatísticas de divórcio, com grandes chances de litígio.

Sobre Jennifer Lobo

Filha de empresários brasileiros, nascida nos EUA, graduada pela Auburn University, Alabama, com especialização em Comunicação e mestrado em Relações Públicas. Certificada pelo Matchmaking Institute, empreendedora, é fundadora e CEO da plataforma de relacionamentos https://www.meupatrocinio.com Autora do livro"Como Con$eguir um Homem Rico", escrito em conjunto com Regina Vaz, terapeuta de casais.

Contato:imprensa@meupatrocinio.com


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