Funcionários do JBS protestam na AL e deputados pedem liminar por abates em MS

20/10/2017 07h11 - Por: Elvio Lopes

Funcionários da JBS na Assembleia de MS
foto - ALMS Funcionários da JBS na Assembleia de MS
foto - ALMS

Centenas de funcionários das duas unidades do Frigorífico JBS na Capital protestaram ontem, durante o dia todo, contra a paralisação das atividades das indústrias em Mato Grosso do Sul, determinadas pela diretoria depois do bloqueio de recursos de R$ 730 milhões pela Justiça e pelo risco de demissões em massa nas seis cidades onde a empresa mantém suas plantas de abate. No início da manhã, os trabalhadores lotaram o plenário da Assembleia Legislativa, onde tramita a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da JBS que solicitou o bloqueio financeiro.

O trabalhador Daniel Finamore de Souza Contarini, funcionário há 12 anos da unidade I do JBS na Capital, argumentou que o embargo financeiro imposto pela CPI à empresa impossibilita sua venda, que não há garantia de emprego para os 230 mil trabalhadores diretos das unidades do grupo no País. "Queremos uma união de esforços das autoridades para mobilização nacional pela garantia do emprego, vamos a Brasília cobrar soluções e que a empresa pague o que deve ao Mato Grosso do Sul, mas também garanta os nossos empregos e salários", argumentou Contarini.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Carnes e Derivados de Campo Grande, Vilson Gimenez Gregório explicou que os protestos também estão sendo realizados em Anastácio, Cassilândia, Naviraí, Nova Andradina e Ponta Porã, com a finalidade de pressionar os deputados para uma solução em relação à suspensão dos abates e à ação de bloqueio de bens do grupo JBS.

Gregório destacou que o ato foi organizado pelas centrais sindicais e não tem participação de qualquer apoio da empresa em apoio às manifestações. "A companhia respeita o direito à livre manifestação e atendeu ao pedido do sindicato em liberar os trabalhadores que têm interesse em participar do ato", garantiu o sindicalista.

Segundo ele, os acordos firmados entre a empresa e a Procuradoria Geral da República (PGR) contém 49 cláusulas, porém, nenhuma delas trata de alguma garantia para a manutenção dos postos de trabalho e isso gera preocupação nos trabalhadores e suas famílias", afirmou.

DEPUTADOS

Os deputados estaduais, alguns dos quais foram verbalmente atacados pelos manifestantes, anunciaram durante a sessão de ontem que conseguiram marcar uma reunião com a vice-presidência da JBS ontem à tarde mesmo, para tentar manter os postos de trabalho nas unidades de Mato Grosso do Sul, conforme anunciou o presidente da AL, deputado Junio Mochi (PMDB).

O deputado Pedro Kemp (PT) garantiu aos manifestantes que a empresa já acenou negociar uma saída e garantiu que não haverá demissões ou suspensão de salários e que as negociações continuam. Outros deputados também se manifestaram sugerindo medidas para que a empresa não paralise suas atividades. Maurício Picarelli (PSDB) sugeriu uma liminar para o desbloqueio dos bens, para que a empresa decida pela volta dos abates. "Os funcionários não podem ficar parados. Se eles não têm trabalho, não têm produção e aí vão se voltar contra a Assembleia, mas a culpa não é nossa, a decisão foi da própria JBS", destacou.

O deputado Eduardo Rocha (PMDB) insistiu. "Entendemos que a empresa tem essa obrigação de negociar a volta das atividades, pois eles não podem ficar parados", ressaltou. Paulo Siufi (PMDB) propôs que a liminar fosse por iniciativa de todos os deputados. "É a única saída jurídica possível que eu vejo", afirmou. João Grandão (PT), Amarildo Cruz (PT) e Mara Caseiro (PSDB) também concordaram que é possível haver uma conciliação para que o Tribunal de Justiça permita a volta dos abates, vinculado à garantia dos empregos.

O presidente da CPI, deputado Paulo Corrêa (PR) afirmou que todos querem responsabilidade por parte da empresa. "Que sente em uma mesa com produtores, funcionários, Governo e nós da CPI e diga de que jeito vai pagar o que deve a cada um deles e não use os trabalhadores como massa de manobra contra a Assembleia para que insista no desbloqueio dos bens sem nenhuma garantia, afinal são milhões que eles devem em imposto ao Estado, prejudicando toda a população sul-mato-grossense", argumentou.

PANELAÇO

Após a manifestação pela manhã, quando chegaram ao Parque do Poderes em 50 ônibus fretados, os trabalhadores das unidades da JBS na Capital se concentraram na Praça da República (do Rádio), no centro da cidade e prometem acampar em frente à Assembleia Legislativa e realizar "panelaços" para forçar os deputados à busca de soluções para o problema.



Envie seu Comentário