Escritório da ONU alerta para homicídios de mulheres cometidos pelos próprios parceiros das vítimas

14/03/2019 08h13 - Por ONU


 
A violência doméstica e familiar e o menosprezo ou discriminação à condição de mulher estão incluídos na lei que tipifica o crime de feminicídio no Brasil. Foto: Agência Brasil/Fernando Frazão A violência doméstica e familiar e o menosprezo ou discriminação à condição de mulher estão incluídos na lei que tipifica o crime de feminicídio no Brasil. Foto: Agência Brasil/Fernando Frazão

Em 2017, foram 30 mil vítimas de homicídio pelos próprios companheiros em todo o planeta, de um total de 87 mil assassinatos contra a população do sexo feminino.

Em mensagem para o Dia Internacional das Mulheres, 8 de março, o chefe do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODC), Yury Fedotov, alertou na sexta-feira que cerca de um terço das mulheres mortas intencionalmente no mundo é assassinado pelo parceiro íntimo – atual ou antigo.

Ainda de acordo com o dirigente, desse grupo, 20 mil foram mortas por outros membros da família.

Fedotov ressaltou que "a igualdade de gênero ainda está longe de se tornar realidade em muitas áreas de nossas vidas" – o que se reflete numa maior vulnerabilidade das mulheres não apenas à violência de cunho machista, como também à criminalidade.

"Cerca de 70% das vítimas de tráfico detectadas em todo o mundo são mulheres. A proporção de mulheres condenadas por crimes relacionados a drogas é maior que a dos homens.

E as mulheres com transtornos por uso de drogas enfrentam barreiras estruturais, sociais, culturais e pessoais importantes para acessar o tratamento (de que precisam)", lembrou o chefe do organismo internacional.

O dirigente explicou ainda que "o UNODC está ajudando a desenvolver e promover abordagens sensíveis ao gênero nas áreas de seu mandato, da justiça criminal aos serviços de prevenção, tratamento e reabilitação de drogas, bem como HIV/AIDS, contribuindo assim para melhorar a igualdade de acesso aos serviços públicos".

Segundo Fedotov, a agência também tem se empenhado em fortalecer as respostas da justiça para eliminar a violência de gênero e prestar serviços às vítimas desse tipo de violação.

"O UNODC trabalha para promover a participação e representação das mulheres em agências de justiça criminal, onde elas frequentemente têm representação insuficiente, especialmente em níveis sênior e gerencial.

Estudos mostraram que mais mulheres na aplicação da lei podem resultar em mudanças sistêmicas, incluindo estilos policiais mais eficazes, custos reduzidos e taxas mais baixas de escalada da violência", explicou o dirigente.


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