Renovar para transformar, por Fátima Frota

24/10/2018 13h46


Nem sempre a convivência é boa, mas talvez a pessoa comece a perceber que não dá para viver sempre em conflito desgastando o relacionamento e dificultando o encontro com a paz interior.

Estar em contato com o desafeto pode provocar sentimentos que desestabilizam a mente e todo o corpo. Respeitar o que bate no peito alheio é uma das maneiras de começar a se livrar do peso causado pelos sentimentos que carrega. Parece difícil se desprender daqueles sentimentos negativos que nos prendem ao outro, mas não é impossível de conseguir. Afinal, quem é o desafeto?

Compreender que aquilo que é visto no outro, também está dentro da gente é concluir que só é capaz de enxergar aquilo que se conhece. Todo ser humano carrega seu patrimônio espiritual conquistado durante as sucessivas caminhadas realizadas nas inúmeras existências. Isso significa dizer que o que está difícil de eliminar dentro de nós, como por exemplo, o ciúme, a raiva, o rancor etc e tal, também está para aquele ao nosso lado que também enxerga e convive com os nossos erros diariamente.

Buscar a paz na perfeição do outro não é o objetivo, porque eu sou eu, o outro é o outro. A conquista desse nobre sentimento que dará condições de estruturar a mente e o coração deverá começar, primeiramente, na intimidade de cada um. Ao invés de esperar pelo milagre acontecer para que ocorra a libertação das amarras que ainda causam o sofrimento, procuremos eliminar as raízes dos sentimentos negativos, das paixões inferiores, como o vício físico e moral, do ciúme sem lógica, para então caminharmos e, aos poucos, construirmos a paz.

Os tempos são chegados não para a destruição física da Terra, mas para o progresso de cada um. Cada qual deverá ir fazendo a sua parte rumo ao equilíbrio físico e mental tão desejado por todos.

Se cada um puder se colocar à disposição para buscar, incessantemente, melhorar os sentimentos que traz dentro de si, muitas mudanças irão ocorrer, pois, a união dos pensamentos benfazejos junta-se na infinitude cósmica e tudo se movimenta pelo universo, sem que os olhos físicos sejam capazes de enxergar.

Portanto, aquilo que deseja que o outro faça para você, o outro também deseja que você faça para ele. Você busca a paz, o amor, a justiça, a segurança, o perdão, o equilíbrio das forças e muito mais? Toda a humanidade está querendo isso também.

A caminhada é para todos, o caminhar que é diferente. Alguns irão avançar, mesmo com os pedregulhos machucando seus pés; outros irão parar no caminho para retirar os resíduos que entraram em seus pés e ali ficarão sentados, esperando parar o sangramento e a cicatrização dos ferimentos.

Assim é a vida. Tudo depende da forma como estamos caminhando e a importância e o valor dado àquilo que é desejado. A paz é construção contínua, assim como, a conquista de outras virtudes é alcançada mediante a exercícios diários. Por isso é que a Terra é uma verdadeira escola. É aqui, no conviver, que somos convidados a aprender lições humanistas.

No livro A Gênese, de Allan Kardec, o capítulo 18 descreve que a renovação da humanidade não necessita ser integral, mas é necessária uma modificação em suas disposições morais. É o convite para hoje: importante é estar disposto a tentar sempre, tendo a certeza que a transformação exterior passará, pela renovação interior. Eu, comigo, primeiramente, descobrindo e entendendo que faço parte de um coletivo de pessoas, com as mesmas necessidades e com grau de evolução diferente um do outro.

E então, como todo estudante que vai para a escola, vai sabendo que encontrará dificuldades a cada conteúdo apresentado pelo professor. À medida que ocorre a interação entre os problemas apresentados a cada série, professor e aluno, rendem-se ao aprendizado que ao final do ano letivo poderão dizer que mais uma etapa foi conquistada.

É assim também a vida, que diariamente apresenta as mesmas lições naquilo que ainda precisamos aprender. Sempre erramos naquilo que ainda precisamos enfrentar e erradicar. Estar disposto ao enfrentamento a esses problemas interiores, é o primeiro ponto para a reflexão. Buscar uma ajuda profissional e religiosa também faz parte do caminho.

Presidente da Associação de Jornalistas e Divulgadores da Doutrina Espirita – AJES-MS


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